Informática e Educação
Se a utilização da tecnologia, principalmente a informática, em
nosso cotidiano é condição sine qua non para a realização de nossas
tarefas e afazeres mais básicos, o que não dizer para a difícil ascensão
profissional?
Sabemos que a evolução tecnológica é como uma bola de neve,
isto é, cresce a cada dia, e a ausência desse conhecimento faz-nos distanciar
gradativamente do mundo real. Mas e o adolescente? E a criança? Os pais, alunos
e profissionais da área acadêmica e outros profissionais pela educação de nossas
crianças, vivem hoje uma grande preocupação: a necessidade de preparo técnico
devido a presença marcante da tecnologia em nossas vidas, seja nos shopping
centers, nos bancos, nas residências e principalmente nas escolas. Será que
todas as pessoas efetivamente, estão preparadas para a implementação da
tecnologia na educação?
Para nos localizarmos um pouco mais, vejamos o que seria
tecnologia. Goodman & Sproull (1990) definem tecnologia como sendo o
conhecimento de relações causa-efeito contido (embutido) nas máquinas e
equipamentos utilizados para realizar um serviço ou fabricar um produto. Para
usuários leigos da palavra, tecnologia significa o conjunto particular de
dispositivos, máquinas e outros aparelhos empregados na empresa para a produção
de seu resultado.
Já para Fleury (1990), uma abordagem muito diferente enxerga a
tecnologia como um pacote de informações organizadas de diversos tipos,
provenientes de várias fontes e obtidos através de diversos métodos, utilizado
na produção de bens.
Para Gonçalves Lima (1994) a tecnologia é muito mais que apenas
equipamentos, máquinas e computadores. A organização funciona a partir da
operação de dois sistemas que dependem um do outro de maneira variada. Existe um
sistema técnico, formado pelas técnicas e ferramentas e utilizadas para realizar
cada tarefa. Existe também um sistema social, com suas necessidades,
expectativas, e sentimentos sobre o trabalho. Os dois sistemas são
simultaneamente otimizados quando os requisitos da tecnologia e as necessidades
das pessoas são atendidos conjuntamente. Assim, é possível distinguir entre
tecnologia (conhecimento) e sistema técnico (combinação especifica de máquinas e
métodos empregados para obter um resultado desejado).
Neste caso, podemos concluir que a tecnologia seria
representada por um conjunto de características especificas do sistema técnico
no cenário em que a mesma atua. Podemos então definir resumidamente o que seria
tecnologia, como sendo qualquer insumo de produto criado ou então inovado, e que
este por sinal tenha seu devido mercado, representado pelas necessidades de
utilização no meio em que se encontra inserido.
É notório, portanto, o uso de novas tecnologias pelo indivíduo
na organização, onde pelo fator do próprio pré-requisito, é na escola (educação)
que devemos nos preparar, isto é, é nesse momento que temos a chance de obtermos
conhecimento e sabedoria a fim de estarmos preparados para a futura investida no
mercado de trabalho, mas quando isto pode ocorrer? Já na infância?
Seguindo alguns princípios de Piaget (1975), vemos que por
exemplo no caso de crianças, as mesmas devem ter um determinado tempo adequado
para gozar a sua infância, ter um período ideal para entrada na escola e começar
a partir dai a ser alfabetizada, ou seja, a criança deve alcançar e obter um
certo grau mínimo de maturidade para aí sim se envolver com atribuições de maior
responsabilidade. Sabemos, é verdade, que pelo simples fato de uma criança olhar
e manipular um computador, pode levá-la a ter um certo impacto num primeiro
momento, levando em alguns casos a alterações no quadro psicológico, pois o
tratamento é feito com a máquina através de um processo mecanicista e artificial
e não através do relacionamento com outros seres humanos. Devemos nos preocupar
em propor e executar todas as técnicas viáveis e até aqui conhecidas
tradicionalmente de aprendizado com as crianças, visando a influenciar sua
imaginação, coordenação motora e criatividade como sempre fizemos. Mas e o
computador, devemos utilizá-lo?
Vivemos numa época de ênfase na informação, tais como a
presença das revistas, telejornais e internet, onde é preciso estarmos
sempre informados. Mas é importante lembrar que informação não é conhecimento. O
conhecimento envolve o estabelecimento de relações entre informações isoladas.
Se pensarmos neste sentido, muito do que é chamado do conhecimento escolar é
apenas informação, desconectada: conceitos vazios, para serem memorizados e
esquecidos. A informação é descartável, justamente por não ter vínculos nem com
outras informações, nem com conhecimento, mas, sobretudo, por não termos com ela
vínculos emocionais, Guerra (2001).
Como sabemos, o computador (hardware) só é capaz de
processar dados, mas em nível lógico (software) podemos trabalhar com
informações, editando textos, automatizando processos, a partir dos fundamentos
trazidos pela teoria da informação, podemos esboçar o seguinte fluxo do
conhecimento e da sabedoria:
O conhecimento, supostamente é adquirido primeiramente através
do processo de comunicação existente no meio localizado, gerando informações ao
mesmo . Através destas informações, poderemos adquirir ou não o conhecimento
esperado. Isto nos leva a discorrer um pouco sobre a sabedoria. A sabedoria é
desenvolvida através da vivência, e não exclusivamente pela inteligência.
Envolve saber dispor do conhecimento e da ação de modo a trazer o máximo
beneficio para os indivíduos. Se o conhecimento muitas vezes nos leva a uma
postura arrogante, a sabedoria só se atinge a partir da humildade, podendo ser
entendida em fúnção da ação associada e no contexto e no momento específico
desta ação, não podendo ser expressa em termos de regras, isto é, não pode ser
generalizada, nem transmitida diretamente, sendo inseparável da realização
pessoal daquele que busca o saber.
Já a tecnologia da informação se traduz nas ferramentas
tecnológicas utilizadas em um determinado meio (sistema), representada a partir
da existência dos softwares, video e teleconferências, bem como o uso da
internet, Walton (1994).
Existem várias criticas em relação à utilização dos
computadores na escola, principalmente nos níveis da pré-escola e ensino
fundamental, segundo Seltzer (1994). Para o autor, as máquinas devem ser
consideradas como mero instrumento para uma porção de atividades úteis, mas que
estas últimas não englobam seu uso na educação de matérias que não sejam a
computação propriamente dita, pelo menos até as últimas séries do segundo grau.
O autor comenta que o ensino apresenta um cenário ruim causado não pelo fator
tecnológico, mas sim pelo fato de existir um inter-relacionamento humano, onde,
deveria ser dado maior importância à relação aluno-professor, ou seja, para que
essa relação fosse sensivelmente mais humana.
Mas devemos simplesmente nos esquecer dos computadores na
educação em pleno término do século vinte? Não, acreditamos que devemos sim
participar deste avanço tecnológico com a sociedade em geral e também em estar
utilizando essas tecnologias com as crianças. É claro que a utilização deste
equipamento (computador) não deve, em hipótese alguma, ser utilizado como um fim
em si mesmo, mas sim como uma ferramenta auxiliar no processo de ensino e
aprendizagem, despertando desta maneira algum tipo de interesse maior na questão
do conhecimento.
Em experiências vividas na área acadêmica com alunos de
Pedagogia (primeiros e segundos anos do curso), verificamos que essa é uma
preocupação existente dessa classe de educadores e que as principais vantagens
constatadas na utilização de computadores na educação com os alunos são:
- despertar da curiosidade;
- aumento da criatividade, principalmente nos casos de utilização no auxilio á
aprendizagem de crianças deficientes, até então realizada de uma forma não tão
eficaz, como é o caso de programas utilizados pela prefeitura da cidade de São
Paulo, na gestão de 1992;
- uma ferramenta poderosa como auxílio no aprendizado, como por exemplo a
utilização de softwares educacionais (multimídia);
- uma produtividade maior em relação ao tempo necessário ao estudo
propriamente dito;
- necessidade de um continuum de treinamento, para o acompanhamento tecnológico;
E, onde as principais desvantagens seriam:
- a falta de preparo dos próprios educadores e educandos;
- as influências negativas causadas pela utilização de técnicas relacionadas com a tecnologia (computadores), ou seja, a utilização excessiva das máquinas e se realmente a utilização da tecnologia (computadores) significará um aperfeiçoamento efetivo do ensino no país. Neste caso comenta-se a eficácia da viabilização de projetos computacionais internamente nas instituições de ensino.
De certa maneira, este é um cenário que a cada dia que passa, o
processo de aprendizagem aumenta, causado prontamente pelas aquisições de novos
equipamentos (computadores) pelas instituições de ensino público e privado,
juntamente com os incentivos de treinamentos e uso em geral pelas pessoas,
dentre os quais os próprios professores e alunos.
Em pesquisas realizadas em escolas que se utilizam da
informática como método de ensino, percebemos que o processo de aprendizagem é
efetuado de uma maneira simples e fácil, levando a criança a apreender
brincando. Nestas escolas especificamente, o processo de aprendizagem é
acompanhado de perto por uma equipe de psicólogos e pedagogos, que analisam todo
o processo de aprendizagem de seus estudantes, muito embora com o advento e uso
cada vez maior da internet, esse acompanhamento e feedback possa
se tornar mais difícil. Mostramos abaixo, alguns links interessantes na
internet desses centros estudantis:
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